Infecções fúngicas na pele estão entre as queixas mais frequentes nos consultórios dermatológicos, especialmente em cidades de clima quente e úmido como Goiânia. Micoses, pano branco, frieiras e candidíases cutâneas são problemas extremamente comuns que afetam milhões de brasileiros, mas que muitas vezes são tratados de forma incorreta ou incompleta com produtos comprados por conta própria.
Neste artigo, vou explicar os principais tipos de fungos que afetam a pele, como reconhecer os sintomas, quais são os tratamentos adequados e quando é hora de parar de usar remédio por conta e procurar um dermatologista.
Por que infecções fúngicas são tão comuns
Os fungos estão em toda parte: no solo, no ar, na superfície de objetos e até na própria pele saudável. Em condições normais, a barreira cutânea e o sistema imunológico mantêm esses microrganismos sob controle. O problema começa quando as condições favorecem a multiplicação dos fungos ou quando a barreira da pele está comprometida.
Os principais fatores de risco incluem calor e umidade excessivos, suor intenso, uso de roupas sintéticas e apertadas, ambientes fechados e pouco ventilados, imunidade baixa, diabetes, uso prolongado de antibióticos e frequentar piscinas e vestiários públicos. Quem mora em Goiânia conhece bem o clima quente e seco que, nas épocas de chuva, alterna com períodos de alta umidade -- um cenário perfeito para infecções fúngicas.
Dermatofitoses: as micoses clássicas
As dermatofitoses são infecções causadas por fungos dermatófitos, que se alimentam de queratina -- a proteína presente na pele, unhas e cabelos. São as micoses mais comuns e recebem nomes diferentes conforme a região do corpo que afetam:
Tinea corporis (micose do corpo)
Manifesta-se como lesões arredondadas, avermelhadas, com bordas elevadas e descamativas e centro mais claro, criando o aspecto clássico de "anel". Pode causar coceira intensa e se espalhar para áreas adjacentes se não tratada. É comum em tronco, braços e pernas.
Tinea pedis (pé de atleta)
Afeta os pés, especialmente os espaços entre os dedos, causando descamação, fissuras, maceramento e coceira. A pele pode ficar esbranquiçada e úmida entre os dedos, com odor desagradável. Em casos mais extensos, pode afetar a planta do pé, com descamação difusa e aspecto ressecado.
Tinea cruris (micose da virilha)
Atinge a região inguinal, formando placas avermelhadas e descamativas nas dobras da virilha, com bordas bem definidas que podem se estender para as coxas e nádegas. É mais comum em homens e piora com o suor e o atrito de roupas apertadas.
Tinea unguium (onicomicose)
A micose de unha é uma das infecções fúngicas mais difíceis de tratar. A unha afetada fica espessada, amarelada, opaca, quebradiça e pode se descolar do leito ungueal. Pode acometer uma ou várias unhas, sendo mais frequente nos pés. O tratamento exige paciência, já que o crescimento da unha é lento e o antifúngico precisa agir durante todo o ciclo de renovação.
Pitiríase versicolor: o famoso "pano branco"
A pitiríase versicolor é causada pelo fungo Malassezia, que faz parte da flora normal da pele. Quando se multiplica excessivamente -- favorecido por calor, umidade e oleosidade --, causa manchas que podem ser claras (hipocrômicas), rosadas ou acastanhadas, com descamação fina.
As manchas aparecem principalmente no tronco, ombros, pescoço e braços. Muitas pessoas só percebem o problema quando se expõem ao sol, porque as áreas afetadas não bronzeiam como o restante da pele, criando o aspecto de "manchas brancas". Apesar de popularmente chamada de "pano branco", a cor das lesões varia conforme o tom de pele e a exposição solar.
A pitiríase versicolor não é contagiosa e tende a recidivar, especialmente em pessoas com predisposição e em climas quentes. O tratamento controla o fungo, mas a repigmentação da pele pode levar semanas a meses.
Candidíase cutânea
A Candida é um fungo que habita naturalmente a pele e as mucosas. Quando encontra condições favoráveis -- umidade, calor, dobras cutâneas, imunidade baixa --, pode causar infecção. A candidíase cutânea aparece como placas avermelhadas, úmidas, com bordas irregulares e satélites (pequenas lesões ao redor da principal), geralmente em dobras do corpo: axilas, virilhas, sob as mamas, entre os dedos e na região perianal.
Também pode afetar as unhas e a região ao redor delas (paroníquia), causando inchaço, vermelhidão e dor na base da unha. É mais comum em pessoas com diabetes, obesas, que usam antibióticos com frequência ou que mantêm as mãos constantemente úmidas.
Diagnóstico: além do olho clínico
Embora muitas infecções fúngicas tenham apresentação clínica típica, o diagnóstico correto nem sempre é simples. Várias condições de pele podem ter aparência semelhante, como eczemas, psoríase, dermatite de contato e até lesões pré-cancerosas.
O dermatologista pode solicitar o exame micológico, que consiste na coleta de escamas da pele ou fragmentos de unha para análise em laboratório. Esse exame identifica o tipo de fungo envolvido e orienta a escolha do tratamento mais adequado. Em alguns casos, a lâmpada de Wood (luz ultravioleta) pode auxiliar no diagnóstico da pitiríase versicolor e de algumas dermatofitoses.
Tratamento das infecções fúngicas
O tratamento depende do tipo de fungo, da localização e da extensão da infecção:
Antifúngicos tópicos
São a primeira opção para infecções localizadas e superficiais. Cremes, loções e shampoos contendo cetoconazol, terbinafina, clotrimazol ou ciclopirox são os mais utilizados. O tempo de tratamento varia de duas a seis semanas, dependendo do tipo de micose. É fundamental completar o tratamento mesmo após o desaparecimento dos sintomas, para evitar recidiva.
Antifúngicos orais
São indicados quando a infecção é extensa, resistente ao tratamento tópico ou atinge áreas de difícil penetração, como as unhas. Os medicamentos mais usados incluem terbinafina, itraconazol e fluconazol. O tratamento oral exige acompanhamento médico, pois alguns antifúngicos podem afetar o fígado e interagir com outros medicamentos.
Cuidados complementares
Além da medicação, medidas de higiene e hábitos de vida são essenciais para o sucesso do tratamento e a prevenção de recidivas. A orientação adequada faz parte da consulta dermatológica.
Prevenção: como reduzir o risco de infecções fúngicas
Prevenir é sempre melhor do que remediar. Algumas medidas práticas ajudam a manter os fungos sob controle:
- Secar bem o corpo após o banho, especialmente entre os dedos dos pés, dobras da virilha e axilas;
- Usar roupas leves, de tecidos naturais como algodão, que permitem a transpiração;
- Evitar ficar com roupas úmidas ou molhadas por tempo prolongado;
- Trocar meias diariamente e alternar o uso de calçados, permitindo que sequem completamente;
- Usar chinelos em vestiários, banheiros públicos e áreas de piscina;
- Não compartilhar toalhas, roupas íntimas, cortadores de unha ou lixas;
- Manter o peso adequado, já que a obesidade cria mais dobras cutâneas e favorece a umidade;
- Controlar condições de base como diabetes, que aumentam a suscetibilidade a infecções.
Quando o remédio da farmácia não resolve
Muitas pessoas tentam tratar infecções fúngicas com cremes antifúngicos comprados sem receita. Em alguns casos, isso pode até funcionar temporariamente. Mas há situações em que a automedicação não resolve ou até piora o quadro:
- O diagnóstico está errado e a lesão não é fúngica;
- A infecção já é extensa e exige tratamento oral;
- O fungo é resistente ao antifúngico utilizado;
- O tratamento foi interrompido precocemente e a infecção recidivou;
- O uso de corticoides tópicos (muito presentes em pomadas "para coceira") mascara os sintomas e piora a infecção, criando a chamada "tinea incognita".
Se uma lesão de pele com coceira, descamação ou alteração de cor não melhora em duas semanas com cuidados básicos, é hora de procurar um dermatologista. O diagnóstico correto é o primeiro passo para o tratamento eficaz.
Cuidado profissional faz diferença
No meu consultório, no Setor Bueno, em Goiânia, avalio cada caso de infecção cutânea de forma completa, com exame clínico detalhado e, quando necessário, exame micológico para confirmação diagnóstica. O tratamento é individualizado, considerando o tipo de fungo, a extensão da infecção, as condições de saúde do paciente e os fatores que favorecem as recidivas.